Estudo da UC sobre efeitos da cafeína em doentes com Alzheimer recebe Prémio Mantero Belard

Nov 26, 2014

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Prémio SantaCasa
Rodrigo Cunha recebeu o Prémio Mantero Belard de Neurociências a 25 de novembro
Fotografia: © UC | DR

Rodrigo Cunha foi distinguido com o Prémio Mantero Belard de Neurociências da Santa Casa da Misericórdia. De acordo com o investigador, a distinção é “um exemplo de compromisso e responsabilidade social, na forma de mecenato”. “O prémio atribuído pela Santa Casa torna possível explorar uma nova alternativa para tentar aliviar a perda de memória característica da doença de Alzheimer”, adianta o investigador.

O objetivo do projeto foi “explorar factores integrando estilos de vida associados a uma menor incidência de doença de Alzheimer”, explica. “O consumo regular de doses moderadas de cafeína está associado a uma menor deterioração da memória com o envelhecimento”, explica Rodrigo Cunha. De acordo com o investigador, está ainda associado a uma “menor incidência de patologias de doenças associadas à perda de memória, nomeadamente a doença de Alzheimer”.

Pretendemos fazer uma «super-cafeína» que atue mais seletivamente no controlo da memória mas que tenha menos efeitos secundários

A equipa, que inclui investigadores do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC) e da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC), identificou ainda o “alvo molecular onde a cafeína parece atuar para conferir este benefício”. O objetivo é “compreender como é que o alvo molecular onde atua a cafeína controla esses processos de memória”. Desta forma, os investigadores pretendem “determinar se é possível manipular seletivamente este alvo molecular para terapeuticamente melhorar a memória de doentes de Alzheimer”. Por outras palavras, Rodrigo Cunha explica que pretendem “fazer uma «super-cafeína» que atue mais seletivamente no controlo da memória mas que tenha menos efeitos secundários”.

“A sensação mais imediata é de alívio, pelo facto de haver um financiamento que permita a sustentação das atividades do grupo numa altura em que as fontes de financiamento do governo português para a investigação científica pura e simplesmente desapareceram”, desabafa Rodrigo Cunha.

Os Prémios Santa Casa Neurociências, promovidos pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, englobam um investimento anual de 400 mil euros para a promoção de investigação científica em duas grandes áreas: a recuperação de lesões vertebro-medulares, com o Prémio Melo e Castro, e o acompanhamento de idosos com demências de origem neurodegenerativa, com o Prémio Mantero Belard. No valor de 200 mil euros, o Prémio Mantero Belard pretende dinamizar a investigação científica ou clinica na área das doenças neurodegenerativas associadas ao envelhecimento, como a doença de Parkinson ou Alzheimer.

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