Investigador da UC recebe 1,8 milhões de euros do European Research Council para desenhar um ‘mapa do cérebro’

Jul 27, 2018

O projeto “ContentMAP” procura estudar a forma como a informação é mapeada no cérebro humano e de que forma é que esta organização permite a identificação rápida e eficaz de qualquer género de objeto ou ferramenta de uso quotidiano.

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FPCEUC, Psicologia
Fotografia: © UC | Karine Paniza

Pela primeira vez, um projeto português da área da psicologia conquistou apoios do European Research Council (Conselho Europeu de Investigação – ERC, na sigla original), a maior e mais prestigiada entidade continental de financiamento de investigação científica. Jorge Almeida, professor e investigador da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra (FPCEUC), vai receber uma starting grant no valor de 1,8 milhões de euros para desenhar um ‘mapa do cérebro’. O anúncio foi feito hoje pelo organismo europeu.

Em causa está o projeto “ContentMAP”, que procura estudar a forma como a informação é mapeada no cérebro humano, e de que forma é que esta organização permite a identificação rápida e eficaz de qualquer género de objeto ou ferramenta de uso quotidiano. “O que nós pretendemos é mostrar como o sistema funciona: como o nosso cérebro consegue de forma ultrarrápida e eficiente reconhecer objetos muito diferentes entre si (como um telemóvel, uma mesa ou uma cadeira…) e como essa informação toda está organizada”, explica Jorge Almeida. “O que estamos a estudar e vamos mostrar é que esta informação não é organizada de forma aleatória mas, sim, de uma forma muito específica e continua, em mapa, permitindo o seu uso pelo sistema cognitivo”, acrescenta.

O estudo – com recurso a imagens por ressonância magnética funcional e técnicas de estimulação neuronal não-invasivas – é feito com base nas reações de um grupo de indivíduos às imagens de objetos e ferramentas que lhe vão sendo apresentadas. “O que propomos demonstrar é que existe um mapeamento de informação, que segue uma topografia relacionada com as semelhanças entre as caraterísticas dos objetos. Esse mapeamento é muito semelhante ao que já conhecemos em sistemas muito mais sensoriais, como a visão e audição: neurónios que estão próximos de outros neurónios codificam aspetos semelhantes e, nas áreas em que está a ser codificada aquela informação, a representação destes diferentes aspetos vai mudando de forma sequencial e não de forma aleatória”, descreve o investigador do Proaction Laboratory e do Centro de Investigação em Neuropsicologia e Intervenção Cognitivo-Comportamental (CINEICC) da FPCEUC.

As conclusões deste projeto podem abrir portas a variadíssimos níveis, do desenvolvimento tecnológico (como modelos computacionais de reconhecimento de objetos) ao estudo de doenças neurológicas. Ainda assim, focando-se “na investigação básica, o conhecimento de como o cérebro funciona”, Jorge Almeida prefere destacar a importância da distinção do Conselho Europeu de Investigação: “Vai permitir consolidar um laboratório de neurociência cognitiva, que é uma área que lá fora é tida como central, mas tem recebido muito pouco apoio em Portugal”. “O principal aspeto impulsionador deste financiamento do ERC é mostrar a importância e a vitalidade desta área, e mostrar que esta deve ser estimulada e apoiada pelas instâncias governamentais e universitárias em Portugal”, conclui o investigador, de 38 anos.

Jorge Almeida doutorou-se pela Universidade de Harvard em Psicologia (vertente de Cognição, Cérebro e Comportamento), em 2011, e é professor auxiliar da FPCEUC e Investigador do CINEICC, desde 2013. Foi também fundador do Proaction Laboratory (Laboratório para a Perceção e Reconhecimento de Objetos e Ações), do qual é diretor.

 

Rui Simões

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