A Associação Portuguesa de Estudos sobre as Mulheres (APEM) torna pública e sua posição face aos impactos que a crise pandémica COVID-19 tem produzido junto da comunidade científica e académica.

No documento, APEM Posição COVID-19 24 de abril, onde revela a sua posição pública, a APEM, associação destinada ao estudo e investigação no âmbito dos estudos de género/feministas/das mulheres, destaca que se tem verificado “um retrocesso na produção e acesso a dados estatísticos e informações desagregados por sexo sobre a situação em Portugal”. Sem estes dados a comunidade científica e académica vê-se limitada nas suas análises e propostas de medidas.

A Associação refere que os media têm também a responsabilidade de garantir que na cobertura jornalística que influencia as respostas políticas sejam incluídas as vozes que representam diversas perspetivas. A organização “Women in Global Health”destaca que em cada quatro pessoas citadas na cobertura mediática do surto de COVID-19, apenas uma é mulher. Segundo o comunicado da APEM, a atual situação veio “agravar condições desiguais preexistentes na sociedade, como, por exemplo, as dificuldades e assimetrias na investigação (e.g. área da saúde) ou as dificuldades de conciliação das responsabilidades parentais com as laborais (conciliação família-trabalho), acumulando situações que as colocam em maior risco de exaustão (burnout)”.

A APEM debruça-se ainda sobre alguns aspetos que afetam particularmente as mulheres (cientistas, académicas, investigadoras, professoras), tais como, a acumulação de tarefas de cuidado dos seus descendentes (filhos) e ascendentes; cuidados domésticos e alimentação familiar; entre outras.

Assim, a Associação chama a atenção para  “a necessidade de aligeiramento das condições de acesso a prestações sociais (e.g. subsídios de desemprego; abonos de família; etc.) e adoção de um rendimento básico de sobrevivência capaz de assegurar uma vida digna a quem perdeu os seus rendimentos”. E termina dizendo que “não podemos adotar abordagens neutrais ou cegas às assimetrias de género, em especial em situações de crise que agravam enormemente as dificuldades de ter uma vida digna”.

Recorde-se que da direção da APEM fazem parte quatro docentes da Universidade de Coimbra, pertencentes a três Faculdades, nomeadamente, Virgínia Ferreira (Presidente; FEUC); Cristina Vieira (Vice-Presidente; FPCE); Maria João Silveirinha (Vice-Presidente; FLUC) e Lina Coelho (Tesoureira; FEUC).

 

Consulte aqui o documento na íntegra para informação detalhada: APEM Posição COVID-19 24 de abril

 

Milene Santos

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