Centro de Estudos Sociais da UC gere financiamento europeu de 13 milhões de euros para a regeneração de bairros sociais em sete cidades europeias

Dez 5, 2017

Esta é a primeira vez que a Comissão Europeia atribui um financiamento desta magnitude a um consórcio liderado por um centro de investigação interdisciplinar das Ciências Sociais e Humanas, reconhecendo a forte presença do CES na investigação europeia.

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O Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra vai coordenar um projeto europeu que propõe regenerar bairros sociais de sete cidade europeias, através de «Corredores Saudáveis». Com financiamento europeu de 13 milhões de euros, atribuído pelo H2020, programa-quadro de investigação e inovação da União Europeia, o consórcio URBiNAT | Urban Innovative and Inclusive Nature, constituído por cerca de 30 parceiros internacionais, viu a sua candidatura aprovada no Concurso para Ações Inovadoras (Innovative Actions) na área das Cidades Inteligentes e da Sustentabilidade (Smart Cities and Sustainabilty).

Ao longo de cinco anos, o projeto vai investigar, desenvolver e implementar o que designa de «Corredores Saudáveis», suportado pelo catálogo de Soluções Baseadas na Natureza (NBS – Nature Based Solutions) que os parceiros transversais (universidades, instituições públicas, laboratórios e empresas) têm vindo a desenvolver nos últimos anos. Nesse catálogo incluem-se soluções tecnológicas de impacto ambiental, metodologias inovadoras de participação democrática e inclusão, e alternativas económicas por meio de soluções de economia social e solidária.

Os «Corredores Saudáveis» serão construídos através de processos participativos nas cidades do Porto (Portugal), Nantes (França) e Sofia (Bulgária) e, mais tarde, replicados nas cidades de Bruxelas (Bélgica), Siena (Itália), Høje-Taastrup (Copenhaga, Dinamarca) e Nova Gorica (Eslovénia), em parceria com municípios e universidades locais. O consórcio é complementado com parceiros internacionais iranianos e chineses, bem como parceiros observadores do Brasil, Omã, Japão e China, o que garante a partilha alargada de boas práticas e a replicação das soluções projetadas noutros contextos.

Em Portugal estarão envolvidas cinco instituições no projeto. O CES, como coordenador, a Câmara Municipal do Porto como cidade-líder na implementação de soluções baseadas na natureza, a Domussocial – Empresa de Habitação e Manutenção do Município do Porto, como empresa municipal responsável pelos bairros sociais do Porto, o Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (CIBIO-InBIO), como parceiro local do Porto, e o Give U Design Art (GUDA), como dinamizador dos processos de participação.

O projeto propõe novos modelos de desenvolvimento urbano por meio de inovações no espaço público, promove a coesão social através de living labs, constituídos nas cidades, e amplia os seus efeitos no âmbito de uma comunidade de práticas e de partilha transversal de conhecimento. Assume como modelo processos de experimentação e inovação de metodologias, de co-design e co-implementação, e de interação entre conhecimentos científicos e saberes que emergem das comunidades locais.

A implementação do projeto privilegia uma abordagem participativa e transdisciplinar: os parceiros estão comprometidos com o envolvimento ativo das comunidades de cada cidade na conceção, desenho e implementação dos «corredores saudáveis», cruzando saberes dos cidadãos com práticas profissionais e conhecimentos científicos de áreas diversas (inovação social, cidadania, inclusão, direitos humanos, género, sustentabilidade, desenho urbano, desenho de equipamentos, ambiente urbano, arquitetura, etc.).

Para além do CES (que gerirá um orçamento próprio de 1.240.651 euros), especializado em soluções de participação e inclusão, de regeneração do espaço público, culturais, de economia social e solidária e de emancipação social, o consórcio dispõe de especialistas em soluções de integração ambiental (de Portugal e Holanda), tecnológicas (de Espanha e Dinamarca) e de mercado (da Suécia e Alemanha).

No âmbito do projeto está prevista a criação do Observatório «OURBiNAT» que irá gerir e monitorizar os dados e análises produzidos ao longo do projeto, garantindo a sua sustentabilidade e a promoção de uma regeneração urbana inclusiva e com soluções inovadoras, em prol do bem-estar e da coesão social.

O consórcio URBiNAT e a equipa do CES são coordenados por Gonçalo Canto Moniz, arquiteto, investigador do CES e docente do Departamento de Arquitetura da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, onde investiga e leciona os processos alternativos de reuso de edifícios modernos e a sua capacidade de transformar as cidades e as comunidades. Este investigador coordena também a equipa da Universidade de Coimbra que integra o projeto europeu Erasmus Plus, «Reuse of Modernist Buildings».

Esta é a primeira vez que a Comissão Europeia atribui um financiamento desta magnitude a um consórcio liderado por um centro de investigação interdisciplinar das Ciências Sociais e Humanas, reconhecendo a forte presença do CES na investigação europeia – que procura (outros) modelos sustentáveis, inclusivos e solidários para o desenvolvimento das sociedades. Este é já o segundo projeto que o CES vê aprovado fora da sua área habitual de trabalho – depois da tecnologia digital (com o projeto EMPATIA), agora na área do Ambiente -, tratando-se de um dos maiores projetos alguma vez geridos por uma instituição portuguesa, no âmbito dos financiamentos europeus para a ciência.

 

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