Os resultados preliminares de um estudo internacional (COVID-19: Estudo Transcultural sobre os Efeitos de Stressores Globais em Casais), que o Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra integra, conclui que 74,3% dos/as participantes estão muito preocupados/as com a pandemia, sendo que 22,6% indicam mesmo estar extremamente preocupados/as. 66,6% consideram que a sua vida foi grandemente afetada pela COVID-19, com a agravante de que as pessoas em teletrabalho (63,5% da amostra) consideram, com maior predominância, que a pandemia afetou mais significativamente a sua vida. São igualmente as pessoas em teletrabalho que mais acreditam que a pandemia vai durar menos tempo.

Este estudo revela que os sintomas de stresse, ansiedade e depressão aumentaram significativamente durante o período pós-pandemia, quando comparados com o período pré-isolamento social. Em termos de stress verifica-se que 11.5% da amostra revela sintomas moderados a severos (comparativamente a 4.6% antes do período de isolamento); ao nível da ansiedade verifica-se que 28.2% revela sintomas moderados a extremamente severos (comparativamente a 23.6% antes do período de isolamento); e ao nível da depressão 16% dos/as participantes releva sintomas moderados a extremamente severos (comparativamente a 14.2% antes do período de isolamento). Apesar do agravamento de sintomas se observar nos três estados emocionais, o stresse é o que aumenta mais significativamente. Este resultado é expectável considerando que o stress é uma reação imediata à crise.

De realçar que são os/as participantes com filhos (47.2%) que reportam significativamente sentir globalmente menor perturbação emocional global e menor ansiedade e depressão, independentemente da idade dos filhos.

Observa-se ainda que quanto maior é a satisfação com a relação conjugal menores são os níveis de depressão e stresse, relação esta que se verifica antes e depois da pandemia. Por sua vez, a satisfação conjugal está positivamente associada com a sensação de controlo e a perceção de que se compreende a situação atual, sugerindo estes resultados que a satisfação conjugal poderá funcionar como um fator protetor para uma visão mais positiva/adaptativa face à situação.

O levantamento de dados e informações durante a crise pandémica é muito relevante, de forma a obter um retrato do impacto individual e conjugal. Mas mais importante é a possibilidade de recolher informação em vários momentos ao longo do tempo, pelo que será dada continuidade a este estudo em Portugal, através de uma abordagem longitudinal. Os participantes deste estudo serão convidados a participar em momentos distribuídos ao longo do tempo, com o objetivo de obter uma compreensão mais fiel das flutuações dos impactos que a COVID-19 tem sobre o bem-estar individual e conjugal. À medida que os resultados deste estudo forem emergindo, serão sistematicamente partilhados com a comunidade.

O Relatório Preliminar com resultados mais alargados, relativo a Portugal, pode ser consultado na íntegra no site do Centro de Estudos Sociais em: http://www.ces.uc.pt/ficheiros2/files/RELATORIO_Resultados Preliminares sobre Impacto Psicossocial da COVID-19 em Portugal.pdf

 

 

Ficha técnica:
Este estudo integra-se numa parceria internacional que envolve mais de 40 universidades nos 5 continentes, liderada por Ashley Randall da Universidade do Estado do Arizona (Estados Unidos da América). O estudo tem como objetivo avaliar os impactos da pandemia COVID-19 ao nível do bem-estar psicológico e relacional, em indivíduos casados ou numa relação amorosa, vivendo em Portugal. A maior parte das respostas (59,6%) foi dada nos dias 6, 7 e 8 de abril (3 dias depois da declaração do 2º Estado de Emergência). A amostra é não probabilística, recolhida on-line, entre os dias 6 e 30 de abril, sendo composta por 504 participantes (81,7% do género feminino; média de idades: 37,67 anos, 52,8% com filhos em casa, com 80,4% dos participantes empregados). Este estudo será repetido em novos períodos cruciais da evolução pandémica numa subamostra destes participantes a fim de compreender a evolução destes (e doutros) resultados.
Equipa coordenadora em Portugal:
Ana Paula Relvas (Investigadora Responsável) – Investigadora do Centro de Estudos Sociais e professora catedrática da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra
Luciana Sotero – Investigadora do Centro de Estudos Sociais e professora auxiliar convidada da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra
Alda Portugal – Investigadora associada do Centro de Estudos Sociais e professora auxiliar da Universidade da Madeira
Sofia Major – Investigadora do Centro de Investigação do Núcleo de Estudos e Intervenção Cognitivo-Comportamental e professora auxiliar da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade dos Açores

 

CES

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