Estudo revela que aves das Galápagos se alimentam de flores para compensar a falta de insetos

Mar 11, 2015

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avesgalapagos
O estudo contou com a participação do Centro de Ecologia Funcional da UC
Fotografia: © DR

Até aqui, a história da ecologia e evolução das aves das ilhas Galápagos contava-se essencialmente com a necessidade de se alimentarem de insetos e sementes. No entanto um estudo agora publicado na revista “Nature Communications”, que contou com a participação de investigadores da Universidade de Coimbra (UC), mostra pela primeira vez que estas aves, incluindo os famosos tentilhões de Darwin, também se alimentam em larga escala de néctar e pólen de mais de 100 espécies de flores, acrescentando uma nova peça na compreensão da ecologia das espécies insulares.

Ao longo de quatro anos, uma equipa multidisciplinar de investigadores de Espanha, Equador, Dinamarca e Portugal, através do Centro de Ecologia Funcional da Universidade de Coimbra (UC), procedeu à identificação dos grãos de pólen transportados no bico de aves de 19 das 23 espécies existentes nas Galápagos. Mais de 700 aves foram capturadas e libertadas após a colheita do pólen, e a informação recolhida foi depois processada com recurso a técnicas de análise de redes complexas.

A escassez de insetos obrigou animais insectívoros e granívoros a incluírem na sua dieta pólen e néctar.

A principal novidade do estudo é que praticamente todas as aves das Galápagos adotaram a mesma estratégia, ou seja, alimentando-se massivamente de flores ao longo de todo o ano e em todas as ilhas, independentemente da dieta típica dos seus antepassados vindos da América do Sul. Segundo Ruben Heleno, investigador do Centro de Ecologia Funcional da UC, que participou no estudo, esta mudança “introduz uma nova peça que pode ser muito importante no puzzle que é a evolução e a ecologia das espécies insulares”. De acordo com o investigador, a escassez de insetos obrigou muitos animais tipicamente insectívoros e granívoros a incluírem na sua dieta recursos florais mais abundantes, como pólen e néctar. “Este alargamento na dieta leva a que as aves das Galápagos se tornem massivamente mais generalistas, consumindo uma diversidade de flores muito maior do que a das aves na américa continental”, explica Ruben Heleno.

O estudo expõe também as fragilidades do ecossistema das ilhas Galápagos. “Se por um lado, as aves ganham um recurso alimentar e simultaneamente as flores beneficiam porque são polinizadas pela ação das aves, podendo assim produzir mais frutos e mais sementes, por outro representa também uma ameaça uma vez que ao visitar e polinizar as plantas introduzidas pelo Homem nestes frágeis ecossistemas insulares, as aves podem acelerar a progressão de plantas invasoras e a destruição dos habitats únicos das Galápagos”, alerta o investigador da UC.

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2 comentários a Estudo revela que aves das Galápagos se alimentam de flores para compensar a falta de insetos

  1. A. Gomes Martins diz:

    Em primeiro lugar deixo o meu cumprimento ao Colega Ruben Heleno e ao CEF pelo estudo e pelos resultados. Oxalá as Galápagos não se venham a transformar em coisa demasiado diferente.
    Em segundo lugar, manifesto a minha surpresa pela sintaxe do título da notícia. Com um texto bem escrito, como é hábito, é estranho (e negativo, quanto à imagem e ao efeito potencialmente reprodutor da incorreção) que o pronome clítico esteja fora do sítio. Escrever “Estudo revela que aves das Galápagos alimentam-se de flores para compensar a falta de insetos” está mal. Devia estar escrito “Estudo revela que aves das Galápagos se alimentam de flores para compensar a falta de insetos”. Este é um caso de uma frase subordinada completiva com complementador expresso, em que o pronome pessoal clítico se coloca em posição pré-verbal. Já bastam as incorreções sintáticas que abundam atualmente na oralidade. No sítio da UC devemos fazer os possíveis por evitar estas faltas, quanto mais não seja por causa da nossa obrigação formativa.
    Com cordiais cumprimentos e votos de continuação do vosso bom trabalho,
    A.G.M.

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