Um Consórcio que une seis das principais Escolas de Engenharia portuguesas numa estratégia conjunta e com vista para o mundo e o futuro – e tendo para já como foco os países de língua portuguesa- foi anunciado a 24 de julho, numa cerimónia presidida pelo ministro da Ciência e Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor.

O evento contou com os representantes das seis escolas de Engenharia, e da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) que se junta a esta colaboração. O Consórcio (CEE) reúne o Instituto Superior Técnico, a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), a Escola de Engenharia da Universidade do Minho (EEUM), Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (FCT Nova) e a Universidade de Aveiro (UA). A colaboração assume linhas de ação comuns em vários domínios, nomeadamente na contribuição para a excelência no ensino, na investigação e inovação.

“Formar docentes e investigadores dos países de língua portuguesa, capacitando-os da melhor forma para os desafios do futuro e para as lideranças que poderão exercer” é um importante objetivo deste consórcio, de acordo com João Falcão e Cunha, diretor da FEUP. Prova disso mesmo serão as 20 bolsas de doutoramento atribuídas anualmente ao consórcio, a serem atribuídas por concurso, e que estarão já disponíveis a partir do próximo ano letivo. A ideia vem sendo trabalhada pelos representantes das escolas de Engenharia há algum tempo, cientes das mais-valias que residem nesta colaboração. “Como se costuma dizer a união faz a força e conjuntamente temos uma capacidade de ensino, inovação e investigação muito maior”, salienta João Falcão e Cunha, que foi nomeado diretor executivo do consórcio.

“Queremos, com este consórcio, que a Engenharia tenha, cada vez mais, um maior impacto na sociedade e na economia portuguesas, e o reforço da formação é um investimento fundamental para atingirmos esse objetivo”, acrescenta o diretor da FEUP.

Os resultados do Consórcio vão ser visíveis já em setembro, com a abertura de concursos para os estudantes de doutoramento. “O que vamos propor é que esse conjunto de alunos, apesar de serem distribuídos pelas várias escolas, sejam acompanhados e se mantenha o contacto entre eles para que se criem laços que no futuro podem vir a ser importantes como forma de ligar as escolas e empresas em que vão trabalhar”, salienta Arlindo Oliveira, membro da Comissão Executiva. Além das bolsas, está previsto que sejam, também, celebrados anualmente, e no âmbito das mesmas, dois contratos para investigadores doutorados.

O MOOC “Astrolábio” que versará sobre a área de Sistemas de Informação e Engenharia de Software é outro dos produtos resultantes deste Consórcio. O curso de ensino à distância conta com o contributo das seis escolas da Engenharia e estará disponível a partir de Janeiro de 2020. “Este é também um contributo importante, e identificámos esta área das tecnologias de informação como sendo uma das mais relevantes nos dias que correm”, explica Arlindo Oliveira. O Centro UNESCO, com a designação de Ciência LP  –  Centro Internacional para a Formação Avançada em Ciências Fundamentais de Cientistas oriundos dos Países de Língua Portuguesa, também apresentado ontem pela FCT, é um reforço e simultaneamente um pilar dos objetivos do CEE.

O mesmo tem como objetivo dar formação avançada aos cientistas, numa primeira fase de língua portuguesa, e se as necessidades identificadas assim o justificarem em outras línguas. O objetivo é melhorar a capacidade de investigação e de educação dos candidatos que vêm destes países. As bolsas de doutoramento e a contratação de investigadores por parte dos consórcios serão feitas em articulação com o Centro UNESCO.

Os objetivos e a composição do CEE não são estanques, como salientam Arlindo Oliveira e João Falcão e Cunha. Também o público-alvo das bolsas de doutoramento poderá variar consoante as oportunidades que forem surgindo. “Pode acontecer que haja oportunidades com a Ásia ou com a América, por exemplo”, realçam. “O nosso objetivo é reforçar a visibilidade e o reconhecimento público do papel fundamental da Engenharia no desenvolvimento sustentável social e económico”.

A sessão contou também com a presença da ministra do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação de Angola, Maria do Rosário Sambo, do ministro da Educação Nacional e Ensino Superior da Guiné-Bissau, Daurtarin Costa e da ministra da Educação, Família e Inclusão Social de Cabo Verde, Maritza Rosabal Peña. Na mesma ocasião foi assinado um protocolo de cooperação entre a Direção-Geral do Ensino Superior (DGES) e o Consórcio de Escolas de Engenharia (CEE) para “estimular a modernização progressiva e a reestruturação do ensino da engenharia no contexto universitário europeu”. E, de acordo com Arlindo Oliveira, “O Consórcio serve também para que as grandes escolas de engenharia portuguesas possam agir em sintonia no que respeita às grandes opões a tomar na definição dos novos currículos desta área, que entrarão em vigor em setembro de 2019, e nas abordagens a utilizar no ensino da engenharia”.

 

Consórcio Escolas de Engenharia

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