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Investigadores da UC desenvolvem dispositivo médico inovador para apoio à cirurgia da catarata

Jun 7 • 3 Comentários em Investigadores da UC desenvolvem dispositivo médico inovador para apoio à cirurgia da catarata

O dispositivo pretende ser uma ferramenta de diagnóstico simples, robusta e de baixo custo, que terá grande impacto nos serviços de saúde.

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Fotografia: © UC | Cristina Pinto

Uma equipa multidisciplinar de investigadores do Departamento de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores (DEEC) e Instituto de Telecomunicações da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) desenvolveu um protótipo de um dispositivo médico para apoio à cirurgia da catarata, uma das cirurgias mais realizadas no mundo.

A catarata é uma doença ocular associada essencialmente ao envelhecimento e caracteriza-se pelo desenvolvimento de opacidade no cristalino (lente) do olho, podendo provocar a perda de visão. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que em 2020 esta condição afete 40 milhões de pessoas em todo o mundo.

O dispositivo, que se encontra em fase de protótipo e já com registo provisório de patente, foi desenvolvido no âmbito de um projeto de investigação financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT). Tem por objetivo apoiar o diagnóstico da catarata, através da sua deteção precoce e caracterização, indicando a sua localização e extensão no cristalino. Permite também classificar o seu grau de severidade e estimar a sua dureza de modo automático.

Esta nova tecnologia baseada em ultrassons de alta frequência, usando sondas oftalmológicas, é capaz de «avaliar a progressão da doença, cuja informação é essencial para a decisão clínica», explica o coordenador do projeto, Jaime dos Santos.

avaliar a progressão da doença, cuja informação é essencial para a decisão clínica

O dispositivo médico a desenvolver, com base neste protótipo, pretende ser uma ferramenta de diagnóstico simples, robusta e de baixo custo, que terá grande impacto nos serviços de saúde, nomeadamente «na gestão clínica dos doentes com catarata. Os clínicos passarão a ter acesso a dados objetivos que contribuirão para um diagnóstico e uma decisão da necessidade de cirurgia mais suportados», afirma Miguel Caixinha, investigador da equipa.

Outra vantagem do dispositivo criado pela equipa da FCTUC é o facto de recorrer a técnicas não invasivas para estimar a dureza da catarata. Assim, «em tempo real é possível identificar o tipo de catarata, caracterizar o seu grau de severidade, e estimar a sua dureza e dimensão», explicam os investigadores.

A tecnologia permite ainda minimizar o risco de complicações no pós-operatório porque, apesar de segura, a cirurgia da catarata tem de ser muito precisa. É necessário «substituir o cristalino por uma nova lente intraocular sem danificar a sua cápsula posterior e a córnea, nem causar lesões na retina. Fazendo uma analogia, é como ter de implodir um prédio sem danificar o museu de arte que está à sua volta», ilustra Miguel Caixinha. É nesta perspetiva que o conhecimento da dureza da catarata a ser extraída representará uma informação valiosa na seleção adequada da energia a usar na cirurgia de facoemulsificação.

Das experiências realizadas in vitro em cristalinos de suíno e in vivo em olhos de rato (modelos animais) com diferentes tipos de cataratas, verificou-se uma taxa de sucesso de 99.7% na caraterização automática da catarata e estimação da sua dureza.

A equipa está agora na fase da realização de ensaios clínicos e procura de parcerias para futura comercialização do dispositivo. Os investigadores estão bastante otimistas: «se no olho de um ratinho conseguimos contornar os vários obstáculos que surgiram relacionados com a dimensão extremamente pequena do olho, ao passar para os ensaios clínicos o processo será muito mais simples porque a dimensão do olho humano é muito maior».

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3 comentários a Investigadores da UC desenvolvem dispositivo médico inovador para apoio à cirurgia da catarata

  1. Joaquim Murta diz:

    Este dispositivo parece-me, no mínimo, não ter qualquer interesse clínico. Pura perca de tempo e recursos! Hoje em dia, a cirurgia da catarata realiza-se muito mais precocemente que outrora, operam-se cristalinos transparentes, visando, na maioria das vezes, uma correção refrativa precisa.
    A visualização correta do cristalino é facilmente exequível e não percebo em que situações clínicas um instrumento deste género terá interesse. Não teria sido vantajoso ter havido uma discussão com os clínicos para indagar do interesse ou não de tal instrumento? O seu desenvolvimento pressuporia aplicação na clínica; a investigação translacional é isso mesmo.
    Desculpem o desabafo mas esta notícia, com todo o relevo que se fez, demostra, mais uma vez, a falta de comunicação que muitas vezes existe entre os grupos de investigação na UC.

    • Luís Miguel da Luz Caixinha Duarte diz:

      Quero esclarecer que os recursos usados no referido desenvolvimento, foram resultado de um financiamento aprovado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), precedido de uma natural avaliação feita por um painel de revisores internacional com “expertise” na área científica da candidatura. Da análise do estado da arte apresentado na candidatura, concluíram os avaliadores tratar-se de matéria científica em discussão e da identificação de um problema científico a resolver, foi na solução desse problema que os investigadores “gastaram” o seu tempo, dando resposta ao financiamento concedido.
      Mais quero informar que a avaliação do projeto que deu origem à referida notícia teve uma avaliação prévia e final de excelente.
      Os investigadores consideram que nem a Fundação para a Ciência e Tecnologia nem as revistas científicas internacionais de grande relevância onde foram publicados os resultados científicos devem ser postas em causa.
      Quanto à falta de comunicação entre os grupos de investigação da Universidade de Coimbra, os investigadores estão disponíveis para elaborar propostas que possam melhorar a referida falta de comunicação.
      Quanto ao “relevo” que a noticia atingiu pelos órgãos de comunicação social, este é completamente alheio aos investigadores que inclusivamente não pediram que o desenvolvimento fosse noticiado. A divulgação desta noticia resulta de uma solicitação da impressa da Universidade de Coimbra.

      Luís Miguel da Luz Caixinha Duarte

    • Jaime Santos diz:

      Por acaso alguém me sabe dizer se este senhor é investigador? Se o é, tenho vergonha de ter uma colega que procura denegrir a imagem de outros colegas da mesma instituição que, com muito esforço e dedicação tem dado muito em prol da imagem da Universidade de Coimbra. Será que este senhor sabe que os projectos FCT são analisados por um painel internacional de reconhecido mérito cujo trabalho científico com toda a certeza não é construído à custa de terceiros. Sabe esse senhor que os resultados do projeto tiveram a classificação de excelente? Como PI do projeto que conduziu à realização do protótipo objeto da divulgação em causa sinto-me ofendido. Para que conste, o que está por detrás do comentário deste senhor “expert” na matéria não é o conteúdo da notícia mas sim uma perseguição vergonhosa a um dos investigadores que participou no projeto. Que seria deste senhor sem o trabalho dos engenheiros.

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