No contexto das alterações climáticas, é essencial identificar as regiões do planeta que devem ser protegidas. Isto é difícil fazer nos oceanos, particularmente nas partes mais remotas, como no oceano Antártico. Um estudo internacional, no qual participou José Xavier, cientista polar da Universidade de Coimbra (UC), fornece, pela primeira vez, um mapa das zonas de elevada diversidade na Antártida que precisam ser preservadas.

A identificação destas zonas foi possível usando dados de monitorização das áreas de alimentação de 17 espécies de pinguins, focas, albatrozes, petréis e baleias, revela o artigo científico “Tracking of marine predators to protect Southern Ocean ecosystems”, publicado recentemente na reputada revista Nature e disponível em: https://www.nature.com/articles/s41586-020-2126-y. Foram registadas mais de 4000 viagens de animais através de vários aparelhos de rastreio (por exemplo, GPS, via satélite).

As áreas de maior importância ecológica identificadas pelos 70 autores do estudo, de 12 programas nacionais antárticos, situam-se nas zonas costeiras da Antártida, na Península Antártica e em ilhas subantárticas dos oceanos Atlântico e Índico.

As áreas protegidas marinhas existentes (MPA´s na sigla em inglês) para a região Antártica já incluem algumas destas regiões. No entanto, «nas projeções dos modelos climáticos para 2100, as MPA´s poderão não estar alinhadas com as áreas de elevada diversidade. É necessário uma gestão dinâmica das MPA´s, revista regularmente em resposta às alterações climáticas», explica José Xavier, docente do Departamento de Ciências da Vida da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) e investigador do Centro de Ciências do Mar e Ambiente (MARE).

Esta investigação «aborda a questão fundamental de quais as áreas marinhas na Antártida precisam ser protegidas e como melhor o fazer no futuro, podendo ser um exemplo para outras partes do mundo», realça.

José Xavier alerta ainda que, «considerando que as alterações climáticas estão a afetar cada vez mais o nosso planeta, são necessários mais esforços da comunidade científica mundial, tal como este, para acelerar a transmissão da ciência em decisões políticas na gestão de áreas protegidas marinhas no futuro».

 

Cristina Pinto

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