Nos próximos quatro dias (17 a 20 de abril), mais de 80 especialistas em matéria escura vão reunir-se no Departamento de Física da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC). Estes cientistas integram a Colaboração Internacional LUX-ZEPLIN (LZ), que está a construir uma experiência de dimensão e sensibilidade sem precedentes para a deteção direta da matéria escura que se sabe constituir cerca de 85% da massa do Universo.

A «matéria escura (assim chamada por não emitir ou absorver qualquer tipo de radiação) é essencial para explicar o Universo. Têm sido observados múltiplos efeitos gravitacionais da matéria escura, como por exemplo o seu efeito na velocidade das estrelas, galáxias e aglomerados de galáxias e no efeito de lente gravitacional bem documentado em muitas imagens do telescópio Hubble, mas a sua natureza permanece completamente desconhecida. Constitui assim um dos mais intrigantes problemas da Física atual», explica Isabel Lopes, coordenadora da equipa portuguesa que integra a Colaboração Internacional LUX-ZEPLIN.

Uma das hipóteses mais prováveis, adianta, «é a matéria escura ser constituída por partículas desconhecidas a que os físicos chamaram WIMPs (acrónimo inglês para Weakly Interacting Massive Particles). O nome deriva de terem uma reduzidíssima probabilidade de interagir diretamente com a matéria normal (não escura), o que torna a sua deteção particularmente difícil em termos tecnológicos.»

A experiência LZ vai procurar registar e identificar as interações destas partículas num detetor com 10 toneladas de xénon líquido colocado numa antiga mina de ouro a cerca de 1500 metros de profundidade.

A Colaboração LUX_ZEPLIN conta com a participação de 36 instituições, num total de cerca de 220 investigadores. Entre eles, contam-se 9 investigadores do LIP – Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas, 5 dos quais são docentes do Departamento de Física da FCTUC.

A construção da experiência LZ está presentemente a decorrer, financiada pelo Department of Energy (DOE), Estados Unidos da América, e pela Science &Technology Facilities Council (STFC), Reino Unido. A participação Portuguesa é financiada pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT).

 

Cristina Pinto

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