Dois projetos de parcerias estratégicas coordenados pela Universidade de Coimbra conquistaram financiamento europeu de 630 mil euros, no âmbito do programa Erasmus + (Ação-chave 2 – cooperação para a inovação e o intercâmbio de boas práticas). Um – coordenado por João Paulo Fernandes, do Departamento de Engenharia Informática da Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCTUC) – pretende promover a sustentabilidade no desenvolvimento de software informático. E o outro – coordenado por Dulce Lopes, da Faculdade de Direito (FDUC) – quer incentivar a realização de Iniciativas de Cidadania Europeia.

Ambos os projetos assumem, principalmente, um carácter formativo. O “SUSTRAINABLE – Promoting Sustainability as Fundamental Driver in Software Development Training and Education” – que junta 10 parceiros, de sete países, e vai receber cerca de 350 mil euros – surge da “crescente preocupação global com as questões de sustentabilidade ambiental, que ainda não está refletida nos currículos de ensino superior na área da engenharia informática”, explica João Paulo Fernandes.

O objetivo da equipa do investigador e docente da FCTUC – com investigação realizada neste domínio – é produzir e partilhar conhecimento que permita promover a sustentabilidade na produção de software (que consuma menos recursos energéticos) e integrar estas preocupações ambientais nas estruturas curriculares da área da informática. “Controlar o software é crucial para reduzir a cada vez maior pegada energética dos sistemas de Tecnologias de Informação e Comunicação. O projeto SUSTRAINABLE defende a introdução de todas as facetas da sustentabilidade como uma preocupação principal no desenvolvimento de software. Queremos que estes factores sejam um tópico importante na formação dos engenheiros informáticos do futuro”, nota João Paulo Fernandes.

Por sua vez, o projeto “ECI: From A to Z: European Citizens’ Initiative: A Tool for Engagement and Active Citizenship” – que junta quatro parceiros, de quatro países, e vai receber cerca de 280 mil euros – “pretende envolver estudantes do ensino superior na produção de Iniciativas de Cidadania Europeia, procurando desenvolver a sua consciência europeia”, esclarece Dulce Lopes. “A ideia é colocar os estudantes a debater e a agruparem-se na defesa de um projeto comum de Iniciativa de Cidadania Europeia [proposta legislativa que um grupo de cidadãos pode apresentar à Comissão Europeia]. Vão ter de arranjar um tema que interesse a todos e apresentá-lo de forma consolidada”, refere a docente e investigadora da FDUC.

Além de “despertar a ideia de consciência europeia, aludindo aos valores que partilhamos”, este projeto de formação tem igualmente uma vertente inclusiva, já que deverá incluir, pelo menos, 33% de alunos com alguma vulnerabilidade em cada grupo de estudantes que vai procurar desenvolver uma Iniciativa de Cidadania Europeia. “O ECI: From A to Z é o terreno ideal para promover o envolvimento e a participação de alunos na construção comunitária, desenvolvendo novas formas e instrumentos práticos de cidadania ativa e inclusiva”, completa Dulce Lopes.

Para o Vice-Reitor da UC para as Relações Externas e Alumni, João Nuno Calvão da Silva,  a conquista de financiamento por estes projetos apresentados no âmbito do programa Erasmus + “confirma a excelência dos nossos investigadores e dos serviços técnicos de apoio às candidaturas e sua monitorização”. “Num ano particularmente difícil em matéria de internacionalização, trata-se de mais uma ótima notícia, na linha dos apreciáveis financiamentos garantidos para a mobilidade de docentes, alunos e pessoal técnico”, conclui o Vice-Reitor.

 

Rui Marques Simões

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