Nos dias 30 de novembro e 1 de dezembro, o Departamento de Ciências da Vida (DCV) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) acolhe as VI Jornadas Portuguesas de Paleopatologia.

O evento, que vai juntar perto de uma centena de participantes de Portugal, Espanha, Estónia, Brasil, Chile, México e Canadá, é organizado pelo Centro de Investigação em Antropologia e Saúde – CIAS – em parceria com o Grupo de Estudos em Evolução Humana – GEEvH, ambos da FCTUC, e vai decorrer no Anfiteatro I do edifício S. Bento do DCV (no antigo Departamento de Antropologia).

Nesta sexta edição (que é também o 10º aniversário do evento), destaque para a apresentação de dois estudos de corpos mumificados, um dos quais proveniente da icónica Capela dos Ossos de Évora. Também a «pandemia de “Gripe Espanhola”, cujo início ocorreu há precisamente 100 anos, será relembrada pelo professor José Manuel Sobral, o qual irá proferir uma palestra intitulada “A epidemia da gripe Pneumónica (1918-19) em Portugal no seu contexto histórico”», adianta a comissão organizadora.

Mary Lewis, que irá falar de paleopatologia em crianças, e Cristina Moisão, que irá apresentar uma comunicação dedicada aos “Traumatismos medievais em Portugal e seus agentes”, são igualmente palestrantes convidadas.

Com 53 comunicações, orais e em poster, os temas das VI Jornadas Portuguesas de Paleopatologia variam desde as análises paleopatológicas clássicas, com vários casos de observações de patologias no osso humano (ex.: lepra, tuberculose, brucelose, sífilis, etc.), até estudos com recurso à utilização de técnicas bioquímicas específicas, que começam a ser cada vez mais aplicadas ao conhecimento das doenças do passado, como seja a relação entre as doenças e a alimentação.

A paleopatologia, explicam Vítor Matos e Francisco Curate, investigadores da FCTUC e membros da comissão organizadora das jornadas, é a ciência que estuda «as doenças e a sua distribuição em populações do passado, identificando o seu impacto dinâmico nos grupos humanos ao longo do tempo através de evidências recolhidas em restos esqueléticos ou mumificados, e também em realizações artísticas – como a pintura, a escultura ou o romance –, em diários, testamentos ou tratados médicos e filosóficos.»

É uma ciência «transdisciplinar e permeável a influências tão diversas como as da antropologia, da medicina, da biologia, da história ou da arqueologia. A análise biocultural, diacrónica, da paleopatologia permite identificar os modos como as doenças afetaram diferentes grupos humanos em diferentes períodos e geografias, e as formas como estes lidaram com essa ameaça, estabelecendo bases firmes para o estudo das doenças que afligem as sociedades contemporâneas», clarificam.

 

Jornadas_Paleopatologia
Mais informação, incluindo o programa, está disponível aqui.

 

FCTUC (Cristina Pinto)

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