"Arts for the Blues": cuidar da saúde mental através da expressão artística

O projeto procura estudantes universitários para testar a eficácia do programa em melhorar sintomas de ansiedade, depressão e promover o bem-estar psicológico.

AB
Ana Bartolomeu
29 janeiro, 2026≈ 4 mins de leitura

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Artes visuais, dança, escrita criativa, música, entre outras atividades de expressão artística, estão a ser usadas como ferramentas para reduzir a depressão e a ansiedade e melhorar o bem-estar e a qualidade de vida. O programa, intitulado Arts for the Blues, foi desenvolvido pelas Universidades de Edge Hill e Salford, e integra o NHS (National Health Service), o Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido.

Esta abordagem de psicoterapia criativa chega à Universidade de Coimbra (UC) através do projeto EMBRACE: Evaluating the Mental health Benefits of Resilient Arts-based Psychological Care for children and young people with depression and anxiety in Europe, que conta com a colaboração de investigadores da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da UC (FPCEUC).

Para já, o objetivo é verificar a eficácia do Arts for the Blues junto dos estudantes de ensino superior. A equipa de investigação procura voluntários, com disponibilidade para sessões semanais de psicoterapia grupal, com a duração de 1 hora e 30 minutos.

"O programa consiste em onze sessões divididas por fases, cada uma delas com diferentes objectivos terapêuticos", explica a investigadora responsável, Margarida Pedroso de Lima. "É uma psicoterapia de grupo mediada pela arte", da qual fazem parte exercícios que vão desde "as artes gráficas, ao movimento e à música", acrescenta.

O programa é dirigido a estudantes do ensino superior, dada a falta de dados sobre esta faixa etária, e "por isso seremos pioneiros a este nível", salienta Margarida Pedroso de Lima. Numa segunda etapa, o estudo pretende validar a terapêutica "com grupos clínicos de crianças e jovens".

No contexto europeu, aproximadamente uma em cada cinco crianças e jovens precisam de apoio mental, "uma verdadeira crise que pode ameaçar a saúde mental das gerações futuras". O projeto EMBRACE procura assim responder ao apelo da Comissão Europeia, que colocou a saúde mental dos mais novos como uma prioridade urgente. A finalidade do estudo é encontrar "ferramentas práticas, culturalmente adaptáveis e capazes de serem implementadas em países da União Europeia e fora da UE".

A participação é gratuita e decorre todas as semanas no Centro de Bem-Estar da UC. As inscrições estão abertas aqui.