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"O Físico e o Filósofo: O Debate entre Einstein e Bergson" é tema do Ciência às Seis de dia 11 de janeiro

A sessão marca o regresso do ciclo em 2022.

07 janeiro, 2022≈ 2 mins de leitura

Na próxima terça-feira, dia 11 de janeiro, pelas 18h00, o Rómulo retoma o ciclo de palestras de divulgação científica "Ciência às Seis", com a palestra intitulada "O Físico e o Filósofo: O Debate entre Einstein e Bergson".

A sessão vai ser proferida pelo físico Carlos Fiolhais e realizada via plataforma Zoom.

Destinada ao público em geral, a sessão é de participação livre e gratuita e não necessita de inscrição.

Acesso à sessão no Zoom - https://videoconf-colibri.zoom.us/j/84588643273 ou ID da reunião: 845 8864 3273.

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Os vídeos das sessões anteriores do ciclo (e outros) estão disponíveis no Canal YouTube

Resumo da palestra:


Em 1922, o físico alemão Albert Einstein e o filósofo francês Henry Bergson travaram uma disputa sobre a teoria da relatividade do primeiro, centrada no conceito de tempo. A questão está hoje resolvida: é geralmente reconhecido que Bergson não entendeu a teoria da relatividade. Ele não considerava que a medição feita por um relógio fosse uma definição satisfatória de tempo. Por outro lado, Einstein não fez qualquer esforço para olhar para as dimensões psicológica e filosófica do tempo. Ele disse na altura: "O tempo dos filósofos não existe." Bergson discutiu os aspectos intuitivos e psicológicos do tempo, enquanto Einstein se restringiu aos aspectos matemáticos e racionais. O resultado foi um total mal-entendido. Este confronto foi considerado um exemplo moderno da separação entre física e a filosofia. Se a vitória científica de Einstein não pode ser refutada, é verdade que Bergson levantou pontos que valem a pena pensar hoje.
Essa disputa tem um predecessor na polémica sobre luz e cor que começou em 1810, quando o escritor alemão Johann Wolfgang von Goethe negou a óptica do físico inglês Isaac Newton. Como no confronto Einstein- Bergson, podemos dizer que o físico venceu claramente, se adoptarmos as regras científicas. No entanto, os argumentos de Goethe deram e dão o que pensar. Entre outros, os físicos alemães Hermann von Helmholtz, em 1853 e 1892, e Werner Heisenberg, em 1941, escreveram sobre a "Farbenlehre" de Goethe. O mesmo o fizeram os filósofos Arthur Schopenhauer e Ludwig Wittgenstein, respectivamente alemão e austríaco. Discutirei analogias e contrastes entre as duas disputas, separadas por mais de um século, tentando destilar as mensagens relevantes para o debate cultural contemporâneo.

Biografia do Orador:


Carlos Fiolhais nascido em Lisboa em 1956, é professor aposentado de Física da Universidade de Coimbra, com interesse em História das Ciência em Portugal. É autor de mais de 60 livros, mais de 160 artigos científicos (um deles com mais de 20.000 citações) e de mais de 500 artigos de divulgação. Entre os seus livros estão "Biblioteca Joanina" (Imprensa Universidade de Coimbra, com Paulo Mendes), "História da Ciência em Portugal" (Arranha-Céus) e "Jesuítas, Construtores da Globalização" (CTT, com José Eduardo Franco). Foi Director do Centro de Física Computacional da Universidade de Coimbra, onde procedeu à instalação do maior computador português para cálculo científico, e da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, onde concretizou vários projectos relativos ao livro e à cultura. Fundou o Rómulo – Centro Ciência Viva da Universidade de Coimbra. Foi o responsável pela área do Conhecimento da Fundação Francisco Manuel dos Santos. Recebeu vários prémios e distinções nacionais e internacionais. Tem defendido a ciência e a cultura científica no espaço público em Portugal.

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