Redução de calorias ou resveratrol poderão travar Doença de Machado-Joseph

Mai 11, 2016

De acordo com os investigadores, "o estudo sugere que uma ligeira redução de calorias, extremamente controlada, (...) ou a administração de resveratrol, contribuem para a melhoria da coordenação motora, marcha, equilíbrio, neuropatologia e ativam o processo de reciclagem dos elementos envelhecidos e danificados das células".

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CNC Luís Pereira de Almeida, Janete Cunha Santos e Cláudia Cavadas
Os investigadores Luís Pereira de Almeida, Janete Cunha-Santos e Cláudia Cavadas, do CNC-UC
Fotografia: © DR

Duas equipas do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC) da Universidade de Coimbra (UC) descobriram que a progressão da Doença de Machado-Joseph (DMJ) pode ser travada por uma redução de calorias controlada ou através da substância resveratrol, a qual está pronta a ser testada em ensaios clínicos.

Os resultados, publicados na revista científica Nature Communications, sugerem que os efeitos positivos verificados em ratinhos, que mimetizam a DMJ, não se revelam apenas ao nível dos sintomas, observando-se um bloqueio efetivo do desenvolvimento da doença.

estamos neste momento a desenvolver todos os esforços para testar os resultados do resveratrol em contexto de ensaios clínicos

Cláudia Cavadas, coordenadora de uma das equipas de investigação, clarifica que «o estudo sugere que uma ligeira redução de calorias, extremamente controlada, sem incorrer no risco de malnutrição e com a presença de todos os nutrientes essenciais ao organismo, ou a administração de resveratrol, contribuem para a melhoria da coordenação motora, marcha, equilíbrio, neuropatologia e ativam o processo de reciclagem dos elementos envelhecidos e danificados das células (autofagia).»

Luís Pereira de Almeida, coordenador da equipa parceira de investigação, salienta que «os efeitos benéficos obtidos são explicados através de um “regulador de informação” presente nas células, chamado “sirtuina 1”, uma enzima cujos níveis aumentam no cérebro através da redução calórica ou administração de resveratrol.»

O investigador acrescenta que «estamos neste momento a desenvolver todos os esforços para testar os resultados do resveratrol em contexto de ensaios clínicos, algo que depende somente de financiamento.»

A Doença de Machado-Joseph é uma doença incurável, fatal e hereditária, de grande prevalência nos Açores, sendo caracterizada pela descoordenação motora, atrofia muscular, rigidez dos membros, dificuldades na deglutição, fala e visão, associadas a um progressivo dano de zonas cerebrais específicas.

A investigação foi financiada por fundos FEDER através do COMPETE – Programa Operacional Fatores de Competitividade via Fundação para a Ciência e a Tecnologia, pelos programas europeus E-Rare e JPND, pela AFM e pelo fundo privado Richard Chin and Lily Lock Machado-Joseph Research Fund.

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10 comentários a Redução de calorias ou resveratrol poderão travar Doença de Machado-Joseph

  1. Gleyce diz:

    Olá, tenho um irmão e uma sobrinha com Machado Joseph. Como eles podem participar desses ensaios clínicos…Qual procedimento a tomar…

  2. André diz:

    Antes de mais enaltecer esta grande descoberta a juntar à descoberta também efetuada pela Universidade do Minho.
    Minha esposa é portadora desta doença e estamos sempre muito ansiosos que surja uma solução real, que passe das descobertas aos ensaios. Ás vezes penso que levam menos tempo a descobrir a solução do que por lha em prática num ensaio clinico, refiro-me ao exemplo da universidade do Minho que já faz tempo a descoberta e o ensaio ainda nem se fala.
    Espero que desta vez o entrave financeiro seja resolvido o mais breve possível, pois o dinheiro nunca deveria ser entrave quando se trata de uma descoberta que pode melhorar a saúde das pessoas.
    Por fim gostaria de saber o que é necessário fazer para que minha esposa possa participar no ensaio clinico!

    Um bem haja à equipa de investigadores

    • Susana diz:

      Tenho 44 anos e sou portadora dessa patologia gostaria de me candidatar para ser voluntaria para possiveis pesquisas em relaçao a doença.

  3. Fabio diz:

    Bom dia tenho 41 anos e sou portador dessa patologia gostaria de me candidatar para ser voluntario para possiveis pesquisas em relaçao a doença. Grato

  4. Fabio diz:

    Tenho 41 anos e sou portador dessa patologia gostaria de me candidatar para ser voluntario para possiveis pesquisas em relaçao a doença

  5. Carlos Guimarães diz:

    Parabéns à equipe de pesquisadores. Moro no Brasil e sou portador dessa doença. Tenho muito interesse de participar dos ensaios e de já me candidato a ser voluntário para os próximos passos da pesquisa.

  6. Sou brasileiro, portador de ataxia espino-cerebelar tipo 3, e gostaria de participar destr ensaio. Como prevenção, qual a dosagem minima que posso tomar de resveratrol? Aguardo notícias.

  7. adelmo luiz correa diz:

    Acho que esses pesquisadores da UC plantam essas pretensas descobertas só para conseguirem alguma verba.
    De tempos em tempos, eles plantam uma descoberta. Foi assim com a cafeina, com o citalopram, agora com o resveratrol
    e nada disso evolui.
    Não vejo nenhuma sequencia positiva nesses estudos. Posso estar enganado, mas acredito que essa turma só quer é dinheiro facil.
    Tambem tenho esta doença e pesquiso constantemente algo que me anime, porém, vejo nestes pesquisadores somente oportunismo.

  8. Cláudia Antunes diz:

    Olá! sou brasileira, portadora de DMJ e gostaria de me candidatar a participar de qualquer pesquisa ou ensaio clínico sobre a doença.

  9. Marisa diz:

    Olá tenho um tio com DMJ e estamos de acordo com todas as possibilidades em travar esta doença horrível! Esta doença tem o tempo como arma de arremesso e acredito que a ciência e o corpo são capazes de se aliar nesta conquista. Muito grata por pessoas assim.

    Marisa e José

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