Universidade de Coimbra e Universidade de Cambridge debatem patrimónios sensíveis e a herança das suas coleções

O Seminário “Patrimónios Sensíveis: Histórias, Universidades, Cidades” reuniu, a 19 de fevereiro, especialistas na Biblioteca Geral da UC para refletir sobre memória, restituições e responsabilidade institucional.

Karine Paniza, Ana Bartolomeu
19 fevereiro, 2026 ≈ 3 mins de leitura

© UC l Ana Bartolomeu

A Sala de São Pedro da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra (UC) acolheu o seminário “Patrimónios Sensíveis: Histórias, Universidades, Cidades”, iniciativa dedicada à reflexão crítica sobre coleções e heranças históricas das universidades, incluindo contextos ligados à violência e à exploração colonial.

O Diretor da Biblioteca Geral da UC, Manuel Portela, explicou que o encontro pretende “olhar para aquilo que se designa, por vezes, como patrimónios sensíveis ou patrimónios contestados”, referindo-se a coleções “muitas vezes de origem arqueológica, por exemplo, restos humanos e outro tipo de património que foi recolhido em condições que remetem para contextos de violência ou contextos de exploração colonial”. Segundo o responsável, trata-se de um processo de reflexão que envolve uma dimensão científica, pedagógica e pública, abordando “o modo como se faz a investigação”, “como é que se traduz isso para o ensino” e também a comunicação alargada da história das coleções.

Miguel Bandeira Jerónimo, da organização do seminário, sublinhou que o objetivo é criar “condições institucionais mas também de investigação científica para que sejamos capazes de enfrentar de forma sólida, rigorosa, aberta, dialogante e uma realidade inquestionável”, que passa por “reapreciar a sua história enquanto instituição com a história do país e do mundo”. Defendeu ainda que este debate deve ser feito “por razões científicas mas também por imperativos éticos”.

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O programa incluiu ainda a mesa-redonda Difficult pasts em Cambridge», dedicada ao caso de estudo da universidade britânica, com a participação de Dacia Viejo Rose, Pedro Ramos Pinto e Trish Biers, da Universidade de Cambridge. A sessão reforçou o diálogo entre Coimbra e Cambridge, dois contextos institucionais distintos que partilham desafios semelhantes na análise crítica dos seus patrimónios e das suas histórias.

Walter Rossa, coordenador da elaboração do relatório “Patrimónios Sensíveis na Universidade de Coimbra”, recordou que a discussão ganhou maior visibilidade nas comemorações dos dez anos da inscrição da UC na lista do Património Mundial da UNESCO, quando emergiu a questão das “restituições e das devoluções”. Explicou que foi criada uma iniciativa “de baixo para cima” para refletir sobre o tema e elaborar um documento que propõe “uma reflexão do ponto de vista e metodologia de investigação sobre as suas coleções, as suas práticas”, estabelecendo diálogo com outras instituições, como a Universidade de Cambridge.

O Vice-Reitor para as áreas da Cultura, Comunicação e Ciência Aberta, Delfim Leão, destacou que o relatório “dota a Universidade de um instrumento de reflexão que é muito útil”, defendendo que a abordagem deve ser feita “sem pressas, naturalmente e com ponderação”, envolvendo “investigadores, docentes, os próprios estudantes”. Sublinhou ainda a importância do trabalho de inventário “peça a peça”, enriquecendo metadados e formando jovens investigadores, de modo a “valorizar o património que recebemos e legá-lo também para o futuro”.

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