O Centro de Estudos sobre Incêndios Florestais da Associação para o Desenvolvimento da Aerodinâmica Industrial (CEIF/ADAI), que integra o Laboratório Associado de Energia, Transportes e Aeronáutica (LAETA) da Universidade de Coimbra (UC), está a desenvolver dois projetos ligados à criação de abrigos coletivos contra catástrofes naturais. Os dois abrigos estão a ser desenvolvidos nas aldeias de Ferraria de São João, no concelho de Penela, e de Moninhos Cimeiros, em Figueiró dos Vinhos.

De acordo com o coordenador geral da equipa CEIF/ADAI, Domingos Xavier Viegas, a realização do projeto chega após as várias tragédias relacionadas com incêndios. “Sentimos que era algo que deveríamos fazer pela sociedade e pelas pessoas”, explica o também docente da Faculdade de Ciências e Tecnologias da UC. “Estamos convencidos que o que se fizer aqui nestas aldeias, poderá servir de modelo para outros lugares do País”, acrescenta.

Em Moninhos Cimeiros a solução passa por “adaptar uma estrutura já existente”, que pertence à igreja da aldeia, revela Xavier Viegas. Com “apenas uma estrada de acesso”, em caso de catástrofe, “as pessoas poderiam ficar presas, que foi justamente o que aconteceu em 2017”, conta o responsável, destacando a importância do abrigo.

Já em Ferraria de São João a situação é diferente. A comunidade adquiriu um espaço e é aqui que “vai ser construído de raiz o abrigo”. O responsável sublinha a multifuncionalidade do abrigo, que se pretende ser também espaço de convívio, com uma capacidade para até 50 pessoas. Com um sistema autónomo de energia e água, o projeto inclui ainda acesso para veículos de emergência. “Mesmo havendo calor ou fumo, as pessoas vão estar numa situação de conforto”, adianta o docente. O abrigo projetado vai ainda possuir “um sistema redundante de comunicação”. É  o primeiro edifício com estas características a ser construído em Portugal.

Os projetos estão a ser desenvolvidos no âmbito do programa  “Aldeias Seguras, Pessoas Seguras”, em colaboração com a Autoridade Nacional de Proteção Civil.

 

Marta Costa e Karine Paniza

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