Uma equipa de investigação da Universidade de Coimbra está a participar num projeto internacional que estuda intenções, sentimentos e comportamentos relacionados com a pandemia da COVID-19. O foco desta investigação passa por avaliar as políticas e medidas adotadas face à pandemia mundial atual, procurando perceber se as estratégias a desenvolver poderão ser comuns ou se dependem do contexto cultural.

O projeto abrange três estudos diferentes e consiste numa parceria internacional liderada pelo investigador Christopher Chartier da Universidade de Ashland (Estados Unidos da América), envolvendo mais de 100 laboratórios e departamentos em Universidades e Institutos de vários países, estando em curso a tradução para cerca de 50 línguas diferentes. 

Os estudos visam avaliar as intenções, sentimentos e comportamentos associados à atual pandemia mundial da COVID-19, prestando particular atenção à questão das variações culturais. A consideração de populações de diversos países espalhados pelos cinco continentes é particularmente relevante, pois existe a tendência de centralizar a investigação nos chamados países WEIRD (Western, Educated, Industrialized, Rich, and Democratic – ocidentais, educados, industrializados, ricos e democráticos), dificultando a sua generalização a outras partes do globo. Pandemias como a COVID-19, bem como desastres decorrentes das alterações climáticas, demonstram que estes fenómenos não escolhem lugar. Só levando a cabo estudos à escala mundial se poderá perceber o que é comum e o que é particular na forma de lidar com este tipo de eventos, e se as medidas a implementar podem ser partilhadas ou se existe uma dependência cultural e contextual que deve ser tida em conta.

A existência deste tipo de colaboração a larga escala entre investigadores, laboratórios, universidades e países, consiste num esforço internacional e permite ultrapassar algumas limitações da ciência focada em pequenos grupos, como o são o tamanho reduzido de amostras de participantes, que reduz o poder estatístico para encontrar resultados com significado, e a pouca diversidade na população estudada (e.g. WEIRD), que reduz a possibilidade de generalização dos resultados. Para tal, esta sinergia beneficia do uso de ferramentas colaborativas que permitem a partilha e o uso de informação a partir de repositórios e plataformas de acesso aberto, reforçando a importância de um paradigma de ciência aberta.

Em Portugal são 3 as Universidades envolvidas: Coimbra, Porto e o Instituto Universitário de Lisboa. A equipa da Universidade de Coimbra – Inês Almeida (Investigadora do CIBIT-ICNAS e da Faculdade de Medicina), Ana Ferreira (Investigadora do CIBIT-ICNAS) e Daniela Sousa (Investigadora do CIBIT-ICNAS) – junta-se às equipas do ISCTE-IUL (coordenada pela professora Patrícia Arriaga) e da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto (coordenada pelo Professor Samuel Lins).

A população em estudo é adulta (a partir dos 18 anos), sem limite de idade. O questionário decorre inteiramente online, sendo todos os dados anónimos.

Mais informações sobre o estudo e ligação para participar pode ser encontrada na página https://voluntarios.cibit.uc.pt/psacovid/.

Inês Almeida, Ana Ferreira e Daniela Sousa

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