A Universidade de Coimbra vai avançar para as maiores obras no Paço das Escolas desde o Estado Novo, depois de ter garantido um importante impulso financeiro para proteger e renovar os edifícios e espaços mais emblemáticos do seu Património Mundial classificado pela UNESCO. A candidatura vocacionada para a valorização e recuperação de Sala dos Capelos, Palácio Real e Colégio das Artes foi aprovada para receber três milhões de euros no âmbito do programa Centro 2020 financiado pela União Europeia.

Tendo como um dos objetivos fundamentais a preservação do edifício do Palácio Real no Paço das Escolas, eliminando as causas de degradação do património integrado e móvel – tetos policromados, revestimento azulejar, telas pintadas, entre outros – este projeto foi elaborado pela própria Universidade dada a sua complexidade, sob orientação direta do Vice-Reitor e Arquiteto Vítor Murtinho. Elaborado de 2014 a 2017, o projeto foca-se ainda em ações de conservação, de restauro e de incremento do conforto dos utilizadores destes espaços (nomeadamente, a nível térmico e acústico), implicando um investimento superior a 3,5 milhões de euros (que receberá uma comparticipação do FEDER de 85%). A componente nacional é assegurada pelas receitas próprias da Universidade de Coimbra provenientes do turismo.

Este será o maior investimento em termos de obras realizadas no Paço das Escolas (em volume e extensão de intervenção) desde a destruição da Alta e construção dos novos edifícios universitários pelo Estado Novo, realizadas durante um largo período e que abrangeu as décadas de 40 a 60 do século passado. Em causa estão trabalhos de recuperação das coberturas e fachadas da Sala dos Capelos e do Paço Real, várias salas de aula da Faculdade de Direito, iluminação exterior do Pátio das Escolas e manutenção, conservação e restauro de painéis azulejares, mobiliário fixo, bem como diversos elementos de sombreamento e proteção solar.

Tamanha intervenção insere-se na estratégia de salvaguarda do património histórico edificado da Universidade de Coimbra que levou a que, na última década, fossem realizadas outras obras de reabilitação na Via Latina, Escadas de Minerva, Pátio das Escolas, Porta Férrea, Capela de S. Miguel e Biblioteca Joanina. “Este ambicioso projeto pretende dar continuidade a uma política sustentada de reabilitação e de manutenção do parque edificado classificado como Património Mundial, mas que se mantém no pleno uso das suas funções académicas e universitárias”, afirma o vice-reitor Vítor Murtinho, perspetivando uma clara “melhoria das condições de funcionamento da Faculdade de Direito”, principalmente a nível térmico e acústico.

A Universidade de Coimbra pretende ainda realizar ações de conservação e restauro dos portais da Capela de S. Miguel, do átrio da Capela, do colégio de S. Pedro e dos grupos escultóricos do Largo da Porta Férrea (completando assim as obras e projetos já iniciados), assim como deixar o Pátio das Escolas com uma nova imagem noturna. “Ao nível do aspeto urbano exterior está prevista a implementação de um ambicioso projeto de iluminação monumental, com soluções sustentáveis, que irá mudar a imagem panorâmica do Paço das Escolas quando visto do outro lado da cidade”, descreve Vítor Murtinho.

Está também programada a reabilitação de vários espaços do Colégio das Artes, tendo em vista “a melhoria de funcionamento do Departamento de Arquitetura da Faculdade de Ciências e Tecnologia”, que lá está sedeado, completa o vice-reitor. Todos os locais englobados neste projeto são monumentos nacionais e inserem-se na área da Universidade de Coimbra classificada como Património Mundial pela UNESCO em junho de 2013. “Este conjunto de intervenções vai permitir que aquele importante conjunto monumental possa desempenhar, ainda melhor e com mais dignidade, o papel que muito justamente a UNESCO lhe reconheceu”, conclui Vítor Murtinho. Estima-se que as obras – com arranque previsto para inícios de 2019 – estejam concluídas até final de 2020.

 

Rui Marques Simões

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